Ó terra, terra, terra! Ouve a Palavra do Senhor (Jr 22.29).

            Essa questão envolve um debate quase que interminável, com vários pontos de vista. Quando analisamos ao longo da longa história e ao mesmo tempo metódica e medíocre vivencia do homem enquanto formadores de instituições, o fracassado é pertinente, muito embora latente aos olhos humanos. Se relembrarmos quantas instituições que foram formadas e com um brilhante futuro pela frente, mas foram golpeadas fatalmente na raiz, e naturalmente golpeadas deixaram de existir. Nossa visão nesse breve texto é demonstrar a falência do otimismo, e seu maior erro. Muitos especialistas endossam o exercitarmos o dom de ouvir, mas muitos pelo orgulho próprio fracassam nesse intento. Ouvir a história é uma dádiva, pois aprendemos com os erros e acertos dos nossos antepassados. Não propriamente em um sentido eclesiástico, mas numa visão geral.
    A instituição Edênica. A Bíblia narra um importante relato da história humana, o princípio. Um povo, ou raça, que não possua uma história, automaticamente eles deixam de existir; há um debate sobre o começo, muitos vão optar pelo evolucionismo, mas p4refiro optar pelo criacionismo, uma importante e basilar doutrina bíblica. Senão vejamos, a humanidade não está em evolução, senão tecnológica e até populacional, mas ao mesmo tempo sofre uma involução, pois a criminalidade, a violência e tantos outros agravos humanos, principalmente a desvalorização da pessoa humana. Pois bem, Deus, o Criador, instituiu tudo com perfeição, se você atentar para o livro dos começos, você verá que Deus criara tudo com perfeição. Note do primeiro ato criativo até o último ato criativo, levando em consideração a ordem da criação da terra, percebemos que Deus atestou com seu caráter verbal, ou seja, por sua Palavra, que tudo, sem distinção que era e continuaria perfeito (se Adão não houvesse pecado). Deus colocou Adão, o cabeça de raça, como administrador de toda a terra, sobre tudo dominaria, terra, mar e ar. Apenas uma ressalva, não deveria comer da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.16,17). A instituição Edênica perfeita, entregue ao homem perfeito, para uma administração plena e perfeita. Não sabemos exatamente quanto tempo tudo correu dentro da perfeição, mas por algum tempo funcionou dentro da ordem Theo-humana, havia uma unidade perfeita. Mas a bíblia não esconde o dia negro da história humana, no Capítulo três e versículo seis, lemos que Eva comeu e deu ao marido, e ele também comeu do fruto proibido. Naquele exato momento a instituição perfeita fracassou, por um ato de fracasso humano, há de se ressaltar que o fracasso recai tão-somente do lado humano, pois Deus não fracassou, não fracassa e jamais fracassará. E essa derrota da administração Adâmica passou a toda à raça humana e, por conseguinte a toda a terra (Gn 3.17). E como todas as instituições derivam-se dessa acima citada, todas estão enquanto contempladas pela ação humana, fadadas ao fracasso.
  A instituição Família. O capítulo quatro de Gênesis narra um episódio marcante na vida de Adão e Eva. A natureza caída, não estava restrita ao primeiro casal, mas estava transferido para os seus descendentes. O mundo já não era perfeito e também não o era a instituição família. Caim sente a inveja, se transformar em desejo de morte, e assassinou o seu irmão, ou seja, o primeiro homicídio, narrado no versículo oito. Adão e Eva veem seu primeiro filho morto, e seu primeiro filho assassino. Veem as duas faces do pecado, aquilo que Deus havia dito, tu morrerás ao pecar, acontece com seu filho Abel, e vê o seu filho Caim se tornar em assassino, a família estava arrasada. Esse relato demonstra a ausência do modelo perfeito, por um importante motivo, deixaram de ouvir a Voz da Perfeição, ou seja, a Palavra de Deus. Não é diferente no contexto atual, muitas famílias, casais e filhos estão destruídos pela ausência do aconselhamento perfeito. Nunca se viu o aumento no número de divórcios e quebra de relação entre pais e filhos. Mais uma instituição ferida pela presença do homem caído. O que se entende é que o modelo deixado por Deus fora substituído pelo modelo de usurpação humana, ao invés de ordem vitalícia, desordem irrestrita; ao invés de harmonia e companheirismo homicídio e afastamento. Outro agravante desvio aconteceu no Capítulo quatro e versículo vinte e três, onde Lameque havia adotado a bigamia, de onde deriva a poligamia e consequentemente o adultério. Lameque fala às suas duas mulheres. O modelo instituído por Deus fora ferido, pelo homem ao introduzir a bigamia; alguém pode questionar, por exemplo, o caso de Abraão e Jacó que tiveram mais de uma mulher. Mas devemos considerar o modelo perfeito (Mt 19.5), não penduricalhos humanos. Deus criara um macho e uma fêmea, para formarem um casal. Ou seja, o modelo de casal é macho e fêmea, e modelo de família parte de um casal. Na família entrou a desordem, a desunião, a insatisfação e muitos outros agravantes, por não ouvir a Palavra de Ordem e Perfeição.

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  A instituição Israel. Deus chama um homem velho, marido de uma mulher estéril e em uma terra idólatra, chamada Ur dos Caldeus. Apresenta-lhe uma proposta, que ao ser obedecido pela parte humana, é tornada em promessa por Deus. Deus chamou um povo para sua glória e sua habitação no meio deles. Deus cumpre a promessa ao nascer Isaque, que é chamado o filho da promessa, e de Isaque nasce Jacó, através de quem nascem doze filhos e deram origem às doze tribos de Israel. Deus advertira a Abraão que não ele, mas suas descendências herdariam a terra prometida após um período de quatrocentos anos (Gn 15.13-16). É bom enfatizar como está em (Dt 7.7) que Deus não escolheu o melhor dos melhores, mas o pior dos piores, um povo escravo, fraco, sem conhecimento de guerra e o menor numericamente, para demonstrar que a grandeza sempre está na parte Divina, o homem fraco por natureza e Deus Forte por atributo eterno. Vale lembrar que força ou poder de Deus, é um atributo comunicável, ou seja, Ele pode transferir a quem Ele bem intentar. Israel fora chamado para ser o instrumento de Deus e o modelo de governabilidade da teocracia. Para introduzir às nações, a justiça Divina, a retidão e o conhecimento de Deus. Deus havia manifestado grandes sinais; num primeiro momento, falharam ao deixarem de crer no Deus providente, e passaram a murmurar. Canalizando assim o juízo daquela geração que havia saído do Egito, que não entraram na terra prometida, com duas exceções: Josué e Calebe, pois creram no Deus Todo-Poderoso (Gn 17.1). Pois Deus promulgou a Lei no Monte Sinai, para torná-los Nação, com leis, mandamentos e regras de convivência social. Em Deuteronômio capítulo quatro, versículo quinze, diz que quando Deus falou ao povo, não se mostrou nenhuma imagem, para que viesse representar a Deus. O povo de Israel enquanto nação fracassou por não cumprir os mandamentos de Deus. Erraram vez após vez, trazendo então as maldições descritas na promulgação solene em (Dt 28) que fala das bênçãos por ocasião da obediência, e as maldições por ocasião da desobediência. Deus é um Deus todo Perfeito e que exige obediência irrestrita, pois seus mandamentos não são pesados (1Jo 5.3). Israel falha como nação, por declinar do mandamento de não ter e nem se inclinar diante de outros deuses. Um modelo de liderança foi levantado subordinado à Teocracia, chamado juízes. Onde esses homens julgariam diante do povo, orientados pela carta magna daquela nação, chamada de Lei do Senhor ou no seu uso sinonimíco Lei de Moisés. Essa situação perdurou da morte de Josué até o líder Samuel. Um período que é resumido no livro de Juízes capitulo 21, versículo 25, que todos faziam o que parecia direito aos seus olhos, ou seja, a muito tinham abandonado o temor do Senhor e sua Lei. No período dos juízes, instaurou-se um período de ciclos, onde se reconciliavam com Deus e após algum período desviavam-se novamente. Demonstrando que assim como Israel, toda a humanidade acostumou-se com ciclos, isso é evidenciado na moda, por exemplo, o que não é moda hoje, poderá sê-lo amanhã. Moldaram-se em um modelo onde adotaram como modus operandis, o não atentar para aquilo que seu Criador diz e exige. A essa altura passamos por alguns modelos e falências humanas, que nos esquecemos do princípio, de onde partiu tudo. Esse sentimento assalta toda humanidade, que é esquecer-se da origem de tudo, que é o próprio Deus, que fez toda a humanidade a partir de um só homem (At 17.26).  Israel fracassou enquanto Reino e canal de Deus para levar o conhecimento de Deus a todas as nações. Dentro da monarquia identificamos na história real, a falência da governança, por haver oscilações morais e comportamentais da nação de Israel, que fez o que era reto aos olhos do Senhor; e fez o que era mau aos olhos do Senhor. Demonstrando assim que, os juízes fracassaram, a monarquia falhou, o sistema religioso fracassou, atestando com toda a ênfase que o modelo perfeito para Israel e o mundo é a Teocracia, onde Deus governa e o homem obedece. Governo este que será exercido por Cristo durante o milênio, onde todas as nações se subordinaram ao Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 20.4) Jesus vai fazer o contraste das videiras, a falsa Israel que fracassou enquanto instituição nos três níveis: real, sacerdotal e constitucional, pelo fato de não atenderem aos ditames da Palavra de Deus. Já Jesus é a videira verdadeira, pois conseguiu ser obediente ao Pai, e trazer as boas-novas de salvação. Israel fracassou, Jesus triunfou por ser obediente aos mandamentos do Pai até a morte de cruz. O pior e mais grave pecado de Israel é rejeitar o Filho de Deus.
  Instituição Igreja. A igreja como todas as outras, também é uma instituição Divina, mas com uma base diferente. Um homem justo e perfeito, o Deus encarnado, morreu por injustos e não merecedores desse sacrifício. Mas agora o próprio Deus veio buscar e salvar o que se havia perdido (Lc 19.10), ou seja, a humanidade toda (Rm 3.23). A igreja é uma instituição que foi criada pelo resgate operado por Jesus na cruz (At 20.28). Por esse ato a perfeição de Deus, novamente entrou na humanidade, desta vez pela igreja que é chamada por Deus para levar o conhecimento de Deus (Mt 28.19,20) à toda a humanidade através de seu precursor e consumador, Jesus(Hb 12.2) através da grande comissão outorgada a todos os crentes em Jesus, isto é, aqueles que guardam os seus mandamentos(1Jo 2.3-6), ouvem a sua voz como: Criador, Sustentador, Remidor, Salvador e Senhor (Rm 10.10,11). Portanto a igreja está alicerçada na doutrina Cristológica, que Ele é o Fundamento, a Pedra Principal e o cabeça. Enquanto fundamento Ele é a plataforma de modelo de caráter, sacrifício perfeito e protótipo de perfeição, portanto, a igreja ao olhar para sua base humana terá que seguir o modelo deixado por Cristo, andar como Ele andou (1Jo 2.6), e viver uma vida como crentes regenerados, ou nascidos sobre outro fundamento, um perfeito que é Jesus o segundo Adão e não sobre a base arenosa do primeiro Adão, a qual é predominantemente representada pela instabilidade: física, moral e espiritual. Enquanto Pedra de esquina, Jesus é o destaque de sua igreja, toda ação e manifestação de poder depende de sua autoridade e uso do seu Nome. Ele mesmo diz que “sem mim nada podereis fazer”(Jo 15.5). Enquanto Cabeça da Igreja, toda mentoria é dEle e depende dEle. Toda a forma de agir da igreja, está descrita na sua Palavra (Rm 15.4) Os homens fracassam, mas a instituição não fracassa, pois está organizada na plataforma perfeita. A igreja é a única instituição que os homens não podem miná-la, destruí-la, pois se permanecerem fiéis aos mandamentos de Deus é um servo fiel de Deus, senão é um herege com o coração não regenerado, que será alcançado pela ação disciplinar bíblica (Hb 12.6,7), ou jurídica (Mt 7.21-23). A igreja é o projeto de Deus, onde Deus tira todo mérito humano no aspecto salvífico (Ef 2.8,9) e direcional (Jo 16.13), O Espírito convence o homem, com a verdade iluminadora (Jo 8.32) e dirige o homem com a verdade santificadora (2Co 3.18). O Espírito ensina, capacita e dirige a igreja usando homens com a mente transformada pela Palavra (Rm 12.2), sendo que todo o mérito repousa sobre o Espírito Santo de Deus, que comunica a Palavra de Deus ao coração do homem. Portanto, na dispensação da graça, vivemos a plenitude da Palavra, aquilo que Adão perdera, Jesus trouxe de volta, para que a humanidade volte a ouvir a voz de Deus e não fracasse mais. A igreja moderna precisa sustentar-se pelo ensino da Palavra, e permitir que o Espírito da Verdade, fale nos nossos cultos pela palavra de Deus revelada (2Tm 3.16), operando a transformação do caráter humano, por um novo caráter, onde Deus nos faz participantes de sua natureza Divina (2Pe 1.4).
  O Grande Trunfo de Deus, a Salvação. A salvação, o grande projeto de Deus para a humanidade, é o escape para todos os fracassos humanos, tanto nos aspectos: espiritual, moral e físico. Salvação no aspecto cristólogico, é a ausência de fracassos. Não estou demonstrando um triunfalismo barato, mostrado por tantos pseudos-líderes. Há de se dizer que Jesus afirma pelos frutos conheceremos as árvores (Mt 7.15-20), ou seja, pelo caráter de um líder religioso e sua subordinação à Palavra ou não, saberemos se é um homem de Deus ou apenas um lobo vestido  de ovelha. Na salvação, Jesus anula todo fracasso produzido pelo pecado, e faz com que o homem prove dos dons celestiais e triunfe sobre: o pecado, o mundo, e escape da ira vindoura; escondi o nosso adversário, Satanás, pois Jesus já o venceu (Jo 16.11; Cl 2.15), cabendo apenas nos sujeitarmos a Deus e resistirmos ao diabo, e ele fugirá de nós (Tg 4.7). Em Apocalipse 21-22, Demonstra-se ali o Deus que triunfa e não fracassa. Gênesis demonstra o começo perfeito, mas também mostra o começo do fracasso humano. Narra a providência salvífica de Deus, ao projetar e enviar seu Filho para salvar a humanidade. A Bíblia toda narra a visão de Deus para salvar a humanidade, e narra também uma parte da humanidade sempre fugindo para não ouvir a Palavra de Deus. A consumação da salvação glorificará a Igreja perfeita, para desfrutar a eternidade de perfeição e triunfo eterno, com total desapego ao fracasso; com Jesus triunfaremos e jamais fracassaremos, pois o fracasso já não existirá mais. O Deus todo-perfeito, certamente triunfará e com Ele sua igreja de regenerados.  


WALK LIMA DE OLIVEIRA, Pastor Auxiliar da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Coroatá – MA (pastoreia a Área 4). Professor de Teologia.