Esse fenômeno de mídia, que chegou ao fim neste domingo (19) mostra como os elementos bíblicos do seu roteiro ainda fascinam as multidões, embora não se trate uma história cristã.

O teólogo espanhol José de Segóvia lembra que “o mundo sombrio descrito pela saga épica de George Martin é objeto de rejeição por muitos crentes. A maioria não aguenta a crueldade de histórias cheias de sexo e violência, onde o pecado não é adoçado para ser atraente, mas é mostrado com toda a sua natureza repulsiva”.
Segundo o estudioso, que gosta de fazer análises teológicas de produções de cinema e televisão Os livros de Martin se encaixam no gênero que tem sido chamado de “espada e feitiçaria”, onde existem elementos sobrenaturais permeando a vida dos habitantes de um mundo medieval. Em resumo, tudo acaba sendo uma batalha do bem contra o mal, como em Apocalipse.
   
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“Como em todas as grandes histórias, o segredo não está na ação, mas nos personagens… seu enredo mostra como o caráter dos personagens refletem a humanidade caída. No fundo, não há heróis nem vilões, afinal ‘não há quem faça o bem, não há sequer um’ (Rm 3:12)”, ressalta Segóvia.
Ainda segundo o teólogo, o “Trono de Ferro” representa o poder escravizante dos ídolos, pois parece corromper a todos, mesmo aqueles que dizem defender valores como liberdade, segurança e justiça.

“Essa é a tentação original da humanidade desde o Éden, querer ser ‘como Deus’ (Gn 3). Ao invés de aceitar nossa finitude e dependência, procuramos desesperadamente a ilusão de ter controle sobre tudo. Em qualquer cultura, onde Deus está ausente… sexo, dinheiro e política preenchem esse vazio. Isso é o que vemos em ‘Game of Thrones!'”, explica o erudito espanhol.


Segóvia destaca que “sem dúvida, a fé religiosa em Game of Thrones tem uma importância fundamental no comportamento dos protagonistas”. Ele lembra que Martin explicou diversas vezes que ao retratar a religião predominante de Westeros, a “Fé dos Sete” foi inspirada na Igreja Católica da Idade Média. “Em vez de um Deus Triúno, eles adoram o Deus de Sete Faces, outra representação múltipla de um único deus”, avalia.

O que falta para o mundo triste e violento dos Sete Reinos? A esperança de um salvador, um rei justo que reine eternamente. A ideia de um salvador como Jesus Cristo, que ofereça “amor e misericórdia”.

O final da história de Game of Thrones, que pode ter contrariado a muitos, é exatamente a ausência de uma espera da salvação, um “final feliz”, o entendimento de que “os reinos desta terra chegarão ao fim, mas o Reino de Deus permanece para sempre”.


Informações de GOSPEL PRIME