Os teólogos da escatologia para se reportar do massacre que está acontecendo atualmente na Síria, com especialidade em Damasco, sua capital. Eles apontam que seja a profecia de Isaias e de outras ocorridas em meio ao curso profético no Antigo Testamento. Para começar será primeiramente usada a profecia de Isaias:  “Sentença contra Damasco. Eis que Damasco deixará de ser cidade e será um montão de ruínas. [...] A fortaleza de Efraim desaparecerá, como também o reino de Damasco e o restante da Síria, diz o Senhor dos Exércitos” (Is 17. 1,3).  
         A Bíblia para os cristãos é considerada um Livro Sagrado, livro este, que a teologia o define como uma revelação especial de Deus para o seu povo em relação ao cumprimento do seu plano. A Bíblia não contem apenas profecias cumpridas, visto que ainda há profecias que são sombras, mas em um curto espaço de tempo se tornarão realidades. Depois que estas profecias se concretizarem todo o projeto de Deus preparado desde a fundação do mundo terá chegado ao fim. 
         Dentro de uma perspectiva da interpretação literal dos textos bíblicos é possível compreender as profecias proferidas pelos profetas de Deus no Antigo Testamento - muitas delas ainda estão na previsão de se cumprirem como há outras que já se cumpriram, no qual é o caso do julgamento de Deus pronunciado profeticamente contra Damasco, capital da Síria. 
Antes de tratar diretamente do que está acontecendo com a Síria dos dias hodiernos. Primeiro será necessário ter uma compreensão do contexto histórico e canônico para ver se realmente essa profecia de Isaias contra Damasco realmente se cumpriu ou, e se realmente ainda se cumprirá.

1.1 Contexto histórico 
                  
         Judá foi convidado para fazer aliança com a Síria e com Israel, aliança que não se sucedeu por conta que havia uma nação mais poderosa, a Assíria, onde todos a temia. Com isso o rei de Judá que na época era Acaz, preferiu ficar neutro ao se envolver com estas duas nações inferiores.  O monarca por não fazer esta aliança com o rei da Síria que era Rezim e o rei de Israel que era Peca (Is. 7.1), os tais se uniram para dizimá-lo (IIRs. 16; IICr. 28). 
Quando Judá estava debaixo de ameaças e ataques o Senhor disse para Isaías falar ao rei de Judá para não se preocupar com os ataques dos dois inimigos (Is 7. 4). Mas Deus mandou o rei pedir qualquer sinal, poderia ser das profundezas da terra ou nas alturas (7.10).  Só que o monarca de Judá negou o equivalente sinal. Acaz desconsiderou essa ajuda, porquanto, tinha o desejo de aliar-se com o rei da Assíria, Tiglate- Piléser. Onde o qual prometeu ser o porto seguro de Judá contra as nações de Israel e Síria. E, fez valer a sua palavra invadindo a terra dos sírios e matando o seu rei, Rezim (IIRs. 16.9).  A criança do capítulo sete e versículo quatorze de Isaias era o sinal para Judá entender que Deus a livraria dos cujos reis que faziam Acaz tremer. Estes reis eram os mesmos reis das nações de Israel e Síria, que da primeira Peca era o rei e da segunda o monarca era Rezim. (7. 14-16). No capítulo oito o sinal mostraria que as capitais das duas nações seriam destruídas, que era Damasco capital da Síria e Samaria capital de Israel. Portanto, confirma-se, que a criança chamada de Emanuel era apenas um sinal que indicaria o julgamento de Deus para as duas nações que estavam aterrorizando Judá cujo rei era Acaz (7.14; 8. 4, 8, 10). No contexto do livro de Isaias, a profecia colocada em pauta (17. 3). Efraim, o mesmo Israel, cuja capital era Samaria e pertencia ao Reino Norte. E o reino de Damasco, e toda a Síria seriam dizimadas por afrontar o povo eleito, Judá, cuja capital era Jerusalém – pertencente ao Reino Sul
Nesse contexto histórico de fato Damasco foi destruída ainda contra a poderosa nação da época, Assíria de Tiglate-Piléser III. O rei da Assíria invadiu e venceu a Síria por cerca do ano de 732 a.C. 
Outro texto usado que marca um julgamento contra Damasco é passagem de Jeremias:


“A respeito de Damasco. Envergonhou-se Hamate e Arpade; e, tendo ouvido más novas, cambaleiam; são como o mar agitado, que se pode sossegar. Enfraquecida está Damasco; virou as costas para fugir, e tremor a tomou; angústia e dores a tomaram como da que está de parto. Como está abandonada a famosa cidade, cidade de meu folguedo! Portanto, cairão os seus jovens, mas suas praças; todos os homens de guerra serão reduzidos a silêncio naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos. Acenderei fogo dentro do muro de Damasco, o qual consumirá os palácios de Ben-Hadade (Jr 49.23-27).


Esse ataque foi realizado aproximadamente no ano de 605 a.C. Os algozes de Damasco foram tanto a Assíria quanto a Babilônia de Nabucodonosor. Essa destruição assolou não apenas a capital Damasco, mas, sim, toda a Síria. Esse acontecimento também é retratado pelo profeta Amós (Am 1.4,5).

1.1 Análise escatológica

Outra passagem que destaca o juízo do Senhor contra Damasco se encontra em Zacarias: “Peso da Palavra do Senhor contra a terra de Hadraque e Damasco; que é o seu repouso; porque olhar do homem e de todas as tribos de Israel de volta para o Senhor”(Zc 9.1). Aqui traz a ideia de mostrar que o povo judeu não mais sofreria nas mãos dos seus inimigos, que um deles nesse contexto é a Síria, representada por Damasco, sua capital e por Hadraque, um distrito nas proximidades da capital siríaca. Essa profecia descreve a chegada do Messias para trazer a paz a nação de Judá. A primeira parte da profecia de Zacarias 9.9 se cumpriu no século I, quando Jesus entrou na cidade de Jerusalém (Mt 21.1-11). A segunda parte da profecia se cumprirá quando Ele implantar o seu Império na terra e governará a partir de Jerusalém e não haverá mais guerra, e sim paz, nem injustiça, mas a justiça do Messias prevalecerá entre todas as nações do mundo. 
 Dentro dessa perspectiva não tem como relacionar esta profecia com a atual Damasco, na qual está passando por um período de grande destruição. O que está acontecendo em Damasco, uma das cidades mais antigas do mundo na atualidade, não condiz com as profecias em pautas. Porque acredita-se que a profecia proferida por Deus por intermédio do profeta Isaias para a sua destruição seria com inimigos externos, isto é, uma guerra entre nações. O que se ver em Damasco nos dias de hoje é um tipo de guerra civil. É um grupo religioso formado por civis rebeldes, que não concordam com o atual governo da cuja nação e para impor as suas ideias governamentais, este grupo está procurando de todas as formas como tomar e dominar Damasco e o restante de toda a Síria. 
Portanto, atualmente a Síria está vivendo um dos piores momentos da sua história, mas segundo as promessas de Deus chegarão dias que este período de guerra na Síria se tornará em paz, em maio a escuridão da injustiça raiará a luz da justiça do Senhor. Isso se dará quando Cristo fisicamente retornar para reinar literalmente no mundo por mil anos, nesse espaço de tempo serão cumpridas as promessas incondicionais feitas a Abraão e a Davi. A terra prometida por Deus a Abraão e aos seus descendentes é um território amplo, onde ainda não foi ocupado perpetuamente pelo povo hebraico. E a Síria faz parte desse enorme território prometido por Deus ao povo judeu. Os territórios pertencentes aos judeus são: a extensão do atual Israel, dos palestinos, da Jordânia, do Líbano, da Síria, por fim, as terras que se estende até o Iraque (GEISLER, 2010, p. 902). Partindo desse pressuposto quem governará a Síria não será um governo corrupto e acovardado, nem mesmo um grupo religioso com uma fé totalmente desiquilibrada. O principal governante do povo Sírio como de todo o restante do mundo, será o Messias, o Rei de todas as nações (Is 60.3; Ap 5.9; 21.4). Isso é uma forma de mostrar que o governo humano, seja ele monárquico, democrático, comunista, não deu certo em meio ao curso do mundo. Administração do governo humano só trouxe guerras e desigualdade social, injustiças etc. No período milenar será o momento que o governo teocrático florescerá para provar para o homem só quem tem o poder de governar as nações é só aquele quem criou a história e governa o seu curso para sua conclusão final.

CONCLUSÃO

Portanto, não se pode concordar com o que está acontecendo na Síria seja juízo de Deus. Deus não tem culpa do que está acontecendo com os sírios. A guerra na Síria tem mais a ver com a ignorância religiosa e a fome pelo poder de um grupo que se mostra que não tem nada a perder, mas procura desafiar até mesmo nações inteiras para conseguir o que quer. 
Muitos podem até perguntar, se Deus está no controle dá história, por que Ele não se intervém a favor do povo sírio? Em resposta, tudo o que acontece com uma nação está na responsabilidade da escolha daquela própria nação, ela se responsabilizará pelos seus atos e escolhas. Em seu governo soberano no curso da história, Deus faz uso da sua vontade permissiva, porém, isso não quer dizer que Ele não esteja no controle das coisas que acontecem no mundo, essa vontade permissiva é em detrimento de Deus fazer uma nação entender que tudo o que acontece com ela é responsabilidade da sua escolha de não tê-Lo como seu Deus. 
Para que uma nação venha ter paz em meio à guerra primeiro precisa deixar o Príncipe da Paz governar não apenas o seu governo, mas além do mais deve aceitar o governo de Cristo em seus corações.  
A preocupação da Igreja por enquanto não é procurar saber em que tempo Deus implantará o seu Reino por intermédio do Império terreno governado pelo Messias, porque o próprio Jesus havia dito que a revelação de quando isso acontecerá não foi dado a Igreja nem a ninguém a saber, mas esse tempo oportuno cabe somente a Deus (At 1.6.7). O que deve está na agenda da Igreja é a proclamação de Cristo para os sírios seja lá em Damasco em meio à guerra civil, ou mesmo para os refugiados que adentraram nos países cristãos (At 1.8). 
A proclamação do Evangelho será o meio por onde Deus poderá dá paz ao povo sírio em meio à guerra. A oração seria outra ferramenta por onde Deus entraria em favor daquelas pessoas que não tem a ver com tamanha ignorância e ganância destes grupos supostamente religiosos. Conforme já dito em cima, se o que está acontecendo na Síria não é julgamento do Senhor, a Igreja deve orar incansavelmente pela Síria. Em função do que está acontecendo naquela nação precisa urgentemente da intervenção Divina.  


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CARSON, D.A; KELLER, Timothy. O Evangelho no Centro. Renovando Nossa Fé e Reformando Nossa Prática Ministerial. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2016.
GEISLER, Norman; Teologia Sistemática. Volume 2. Pecado, Salvação, A Igreja, As 
Últimas Coisas. Rio de Janeiro: CPAD, 2010. 
HUNT, Dave. Quanto Tempo nos Resta? Provas Convincentes da Volta Iminente de Cristo. Porto Alegre: Obra Missionária Chamada da Meia Noite, 1999.
HARRIS, Laird, R; JUNIOR, Acher, L. Bruce; WALTKE, K. Bruce. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998.
HORTON, M. Stanley. Apocalipse. As Coisas que Brevemente Devem Acontecer. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.
 RICHARD, O. Lawrence. Guia do Leitor. Uma Análise de Gênesis a Apocalipse Capítulo por Capítulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
SOARES, Esequias. A Razão da Nossa Fé. Assim Cremos, Assim Vivemos. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

NATANAEL DIOGO SANTOS é Pastor Auxiliar da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Coroatá-MA. Pastoreia a Área VII. É professor de Teologia e de Grego Bíblico. Autor de Artigos na Revista Obreiro aprovado e do Jornal Mensageiro da Paz da CPAD.