Em um teatrinho de fantoches caseiro a menininha linda e dócil sacode dois bonequinhos e diz: “Ah, então o rei e a rainha não vão mais morar no mesmo castelo? Que absurdo!… Absurdo nada, o rei e a rainha continuam sendo os melhores amigos do mundo. A jovem princesa continua amando os dois, igualzinho. E sempre que ela precisar eles estarão juntos, do seu lado, como uma magia de natal”. A cena muda e fecha em um homem e uma mulher que dizem um ao outro: Os melhores amigos do mundo? Os melhores amigos do mundo. E se abraçam. Sobe a melodia.
Este é um tema sensível, o divórcio. E porque é sensível? Porque as coisas, muitas vezes não são como esperamos. Sonhos quebram, e o príncipe sobe em seu cavalo branco e deixa o palácio. E essa situação já foi percebida até pelas empresas de cosméticos. O roteiro mudou, saiu de cena a família do comercial da margarina, todos juntos, felizes ao redor de uma mesa, entra no palco a dura realidade da família moderna, separada, com pai e mãe morando em casas diferentes e filhos divididos.
O divórcio, que é o esfacelamento de uma família, por mais que as campanhas publicitárias se esforcem para amenizar o baque, causa graves feridas e contusões na alma das pessoas. Eu conheço, e quem não conhece pessoalmente, casais que passaram por isso e, todos sabemos  que depois de um rompimento no casamento os danos são cruéis até para a família estendida, avós, tios… Vida que segue? Não, a vida não segue. O que segue são tentativas de amortecimento como esta do comercial. Crianças sofrem em silencio e tentam reconstruir os pedacinhos de seus corações, tentam enxergar os pais como reis e rainhas ainda, mesmo que fora do castelo familiar.






A empresa que a veiculou tem como slogan o mote, Acredite na beleza. Esse lema é um apelo bem significativo para a família, e o que está por trás dessa peça publicitária é que o divorcio não é tão feio assim. Segundo a empresa, há uma certa beleza nesses escombros todos deixados pela separação dos pais, há ainda uma magia de Natal.
O mais sensato mesmo é admitir que não há parte boa no divorcio por mais que se queira. Quem acredita em um casamento duradouro hoje em dia? Certamente que nós, os cristãos,  acreditamos e estamos quase sozinhos nesse acreditar. E a menininha narrando a historia fictícia de vida da sua família é tocante por representar tantas outras crianças que se veem destituídas da presença do rei, e em alguns casos da rainha-mãe, ou de nenhum dos dois, porque o castelo ficou mais vazio, oco. O filme só não fala nada sobre a sequencia de fatos e acontecimentos que vem depois como resposta a busca de preenchimento desse deslocamento. A multiplicação de padrasto é uma realidade no nosso mundo moderno. Quando uma empresa de cosmético decide apostar em um tema doloroso como este, eles têm em mente algo, o quê? Contar historias, alcançar um público e vender sua marca. O curioso é constatar que as famílias que passam pelo rompimento do divorcio agora são também um nicho no mercado. Elas existem, elas sofrem, elas seguem tentando e são agora uma fatia aprazível a ser conquistada por empresas.
Mas, para aquele que projetou a família ela continua sendo alvo de sua generosidade e atenção. Deus odeia o divórcio porque em sua sabedoria eterna ele vê o sofrimento silencioso de todos os que passam por isso. Você já reparou que concomitantemente ao aumento do divórcio vem aumentando também a indústria de casamentos? Do que se trata isso. Trata-se de cópias malsucedidas daquilo que Deus projetou magnificamente. O casamento é uma obra perfeita de Deus, mas que sofreu o prejuízo da queda. Mas, no meio das famílias da Aliança ele poderá ser visto com maior magnificência, porque o rei e a rainha moram em um castelo construído pela graça divina. E neste castelo os pequenos príncipes e princesas estarão em segurança, e só assim o marido e esposa, de fato, serão melhores amigos. A verdade é que o divórcio causa inimizades amargas que filme publicitário nenhum saberá ensaiar. Uma vez que um casal rompe eles não são mais amigos, e muito menos “melhores amigos”, eles se toleram e fingem civilidade. Por dentro o que fica é orgulho ferido e ensaio de educação. Quando o coração que foi entregue é partido não há amizade que se sustente.

Imagem divulgação Youtube
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