Logo que os portões das escolas foram fechadas para o início do segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) foi divulgado o tema da redação. Os candidatos devem escrever um texto de opinião sobre “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”.
Mantendo a tradição de abordar temas sociais, segundo o INEP, a redação deveria ter, no máximo, 30 linhas. Ela precisa ser desenvolvida “a partir de uma situação-problema e de subsídios oferecidos sob a forma de textos motivadores”.
Nos últimos anos os temas foram polêmicos, com uma clara orientação ideológica “à esquerda”. Ano passado, a redação teve como título “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. Os alunos deveriam analisar a questão e apresentar uma possível solução. Em 2015, a questão do ENEM mais polêmica, tratava da afirmação “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, baseada em um texto da feminista francesa Simone de Beauvoir. Conforme era esperado, as religiões afro-brasileiras aparecem como as mais perseguidas no quadro disponibilizado pela comissão que elaborou a prova. Baseado em um índice da Secretaria de Direitos Humanos, com dados entre 2011 e 2014, seriam 75 casos registrados. Em seguida vem os evangélicos com 58 e os espíritas com 27. Os católicos aparecem com 22.
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Uma vez que a soma de evangélicos e católicos resulta em 80 casos, seria possível argumentar que, de modo geral, o cristianismo é a religião com o maior índice de perseguição.
Curiosamente, o mundo vive desde 2014 uma grande onda de perseguição religiosa sistemática contra cristãos e outras minorias no Oriente Médio. Com a ascensão do Estado Islâmico, um genocídio étnico e religioso vem sendo executado, enquanto a grande mídia ignora o tema.
Se nos primeiros meses os vídeos e imagens de execuções eram mostrados pela imprensa, depois de um tempo o assunto foi gradualmente saindo de pauta. Atualmente é tratado apenas como uma ‘guerra civil’.
O pensamento politicamente correto, que parece ser a norma na maior parte do mundo, trata qualquer denúncia contra os atos de muçulmanos como “islamofobia”. Em atentados terroristas claramente cometidos por motivação religiosa – atos de jihad islâmica – esse aspecto sempre é minimizado como ação de “extremistas” ou simplesmente ignorados. Na contramão, todo ato realizado por um indivíduo ou grupo cristão é classificado de “fundamentalismo religioso”.
Quando se fala sobre perseguição religiosa na imprensa brasileira, geralmente são casos isolados de ataques a seguidores de religiões afro. Quando alguns políticos começaram a tentar denunciar que também existe uma “cristofobia” que deveria ser combatida foram ridicularizados.


O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM/RJ), que também é pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, usou as redes sociais para lançar um questionamento. “A Intolerância Religiosa, existe inclusive para nós que temos mandato e somos evangélicos!  Quero ver a redação daqueles que vilipendiaram os símbolos católicos na parada gay, os defensores do Estado Islâmico e as feministas da marcha das vadias, será o que eles vão escrever nessa redação?”
Já o pastor Gaspar de Souza, da Igreja Presbiteriana dos Guararapes, na região metropolitana de Recife, arriscou sugerir que o MEC esperava como resposta, “acusar os evangélicos de intolerantes”, e “exaltar as religiões afros como expressão cultural em detrimento da fé católica e evangélica no Brasil”. Para ele, “o Ministério da Educação Marxista incentivará a intolerância na redação. Nada diferente da surrada “jogar uns contra os outros”.

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