Em síntese esse artigo aborda com o objetivo de esclarecer através da lógica o equivoco das ideias comuns do calvinismo, isso dentro do significado com que os calvinistas entendem a soberania absoluta de Deus, é claro.
Embora o calvinismo tenha a visão de Deus iniciada e atrelada a partir da Bíblia, consequentemente, porém, tem uma interpretação equivocada do contexto bíblico em relação ao plano de Deus. Em outros termos, eles concluem que Deus tem um plano determinado para a humanidade consistindo em dizer que Ele por projetar ou determinar tudo - conhece os passos de toda a sua criação antes mesmo de acontecer.
A realidade não é bem essa, em cima disso, o teólogo Silas Daniel escreveu um artigo na revista Obreiro da CPAD descartando qualquer possibilidade dessa teologia veja: 

[...] eles (calvinistas) erram ao afirmar que Deus conhece previamente todas as coisas [...] Deus conhece previamente tudo porque é onisciente, e não porque predeterminou tudo. Deus não precisa predeterminar tudo para saber tudo. Sim Ele predetermina muitas coisas, mas não tudo (DANIEL, 2015, p. 25).   
 
Dá para compreender por intermédio da conclusão lógica que os calvinistas crentes na providência divina meticulosa, crença esta chamada por Roger Olson, de determinismo divino - que Deus determina todas as coisas até mesmo nos mínimos detalhes - causando assim um efeito colateral no seu caráter moral. Esse efeito colateral seria a conclusão lógica que ao determinar tudo, Deus seja o culpado pelas ações pecaminosas da humanidade.  Fazendo assim  dEle um ser cruel e maldoso.
Alguns calvinistas além de afirmar que Deus está no controle de tudo que aconteceu no mundo. Perto disso, da mesma maneira, eles afirmam que Ele está no controle através da eleição para definir quem serão os salvos.  Querendo ou não, eles fazem dessa ideologia interpretativa uma dupla predestinação, porque a partir do momento que eles dizem que Deus determina os salvos, automaticamente os calvinistas estarão afirmando que Ele estará determinando os eleitos ao inferno. Olson registrou na sua obra, Contra o Calvinismo, como o calvinista R.C. Sproul definiu a eleição de Deus no seu livro Eleitos de Deus: 

Ensina [a visão calvinista da predestinação] que desde a eternidade Deus escolheu intervir nas vidas de algumas pessoas e trazê-las à fé salvadora, e escolheu não fazer isso para outras pessoas. Desde toda a eternidade, sem nenhuma visão prévia de nosso comportamento humano, Deus escolheu alguns para a eleição e outros para a reprovação [...] A base para a escolha humana não está somente no homem, mas no beneplácito da vontade de divina (OLSON, 2013, p. 71).

Somando-se tudo isso, a graça se torna irresistível apenas para os eleitos, porque os calvinistas acreditam e entendem que a palavra “coagir” no grego, encontrada na passagem de João 6.44 está exclusivamente dizendo que Deus coagir ou atrai somente os escolhidos para a salvação. Por outro lado, os calvinistas se esquecem de que o Evangelho de João traz o mesmo verbo “coagir” atribuindo e relacionando essa expressão a “todos” (Jo. 12.32). Logo, entende - se que ambos os textos estão se reportando que a salvação não é para um número ou classe específica de escolhidos, mas, sim, para todos quantos cooperar em receber essa graça salvadora. 
 Se o calvinismo, portanto, tem a crença que alguns serão salvos pela eleição de favoritos, pois, pela conclusão lógica haverá automaticamente eleitos para o inferno, mesmo que alguns calvinistas não queiram admitir isso diretamente, mas há, sim, à dupla predestinação. Que por sua vez, isso faz de Deus um ser não misericordioso, não compassivo e não amoroso. 

A divergência de ideias entre os calvinistas

A Reforma não se resume somente ao calvinismo, pelo contrário, o calvinismo é só mais um grupo de protestante que fez parte desse movimento. Historicamente confirma-se que o surgimento da Reforma se deu por causa de vários grupos ou famílias protestantes. 
Quando se trata da teologia reformada o calvinismo não é um sistema fechado, ou melhor, o âmbito da teologia calvinista não é unilateral. Sendo mais preciso, nem sempre os calvinistas seguem a mesma linha teológica entre eles.  O porquê no século XVII é o exemplo que prova que quando os próprios seguidores de João Calvino (1509 – 1564) se desviaram da forma sistemática com que reformador organizou sua teologia. Perto disso, assim eles aprimoraram, ou desqualificaram essa teologia de Calvino colocando no escolaticismo.
Então, afirma-se que os calvinistas nem sempre em tudo eles se concordam. De acordo com isso hoje se encontram linhas teológicas de calvinismo: Calvinismo Moderado e Calvinismo Firme, por exemplo.
O Calvinismo Moderado segue a ideologia que a raça humana sanguineamente herdou o pecado de forma sequencial do primeiro homem, Adão. Por causa do pecado original todos os homens ficaram mortos espiritualmente como em sequência ficaram sujeitos à morte física como também a eterna. Dr. Norma Geisler mostra o seguinte assunto na sua Teologia Sistemática lançada pela CPAD veja: 

[...] como resultado da opção que Adão fez pelo mal, todos os seres humanos, salvo quando são salvos, sofrem a morte espiritual e enfrentarão tanto a morte física, quanto à eterna. Além disso, a graça de Deus não meramente suficiente para todos; ela é suficiente para os eleitos (GEISLER, 2010, 123).

O Calvinismo Moderado acredita que a salvação se dá não apenas pela ação da graça de Deus, mas há a necessidade do homem cooperar para ser alcançada por ela, essa crença é chamada de sinergismo. De certa forma os calvinistas moderados tem a crença que todos os homens pecaram em Adão e naturalmente herdaram a natureza pecaminosa. Então, o homem somente poderá receber a graça salvadora irresistível quando estiver de acordo em cooperar com essa graça. 
Por outro lado, o Calvinismo Firme prega que toda raça humana é totalmente depravada e, em sequência, essa linha calvinista crer que a imagem de Deus no homem não apenas ficou desfigurada depois do pecado, mas dizimada. Que isso faz das ações do homem nenhuma serem boas. 
Ao contrário do Calvinismo Moderado, o Calvinismo Firme adota o monergismo, crença esta que diz que o agente da salvação em todos os aspectos é Deus. Sendo mais preciso o homem por ser totalmente depravado não terá possibilidades de ser levado a tomar uma atitude de se decidir ao Evangelho, visto que ele não tem nada de bom há oferecer a Deus, então cabe à graça irresistível regenerá-lo primeiro para o tal qual reaja para aceitar a Cristo.  Ou seja, a lógica desse tipo de calvinismo é que a regeneração vem antes da confissão, pois, é a regeneração que faz o pecador se confessar.    

A lógica do sistema de soteriologia do calvinismo

Calvinismo é um sistema de convicções na soberania absoluta de Deus fundamentada na doutrina da providência e na predestinação. Uma vez os calvinistas atribuem que sua teologia é ramificada do grande teólogo de Genebra, João Calvino. Contudo, como já dito logo a pouco em cima, não se pode dá crédito em tudo que a teologia calvinista prega possa ser tirada do reformador, embora, em parte, teologicamente e historicamente o calvinismo tenha raízes de João Calvino.
Ainda que, a teologia calvinista tem até a boa intenção de defender a soberania de Deus, contudo, a forma excessiva como eles defendem a soberania absoluta de Deus através do sistema soteriológico remete a diminuir o amor de Deus fazendo assim Ele se tornar um monstro moral. Veja o que disse o calvinista e Dr. Michel Horton em sua obra, A Favor do Calvinismo:

Muitos acham que a eleição condicional (baseada na fé antevista) atraente e que mostra uma preocupação de proteger Deus de uma acusação de injustiça. No entanto, mera presciência não resolve o problema do mal ou do juízo final dos perdidos. Digamos que Deus sabe desde a eternidade que eu farei fofoca sobre meu próximo e que isso levará à sua demissão do emprego. Pode Deus estar errado em seu conhecimento? Dada à perfeição de Deus, isso é impossível. O quer que Deus saiba, ele sabe verdadeiramente. Deus é incapaz de errar. Portanto, se Deus conhece perfeitamente desde a eternidade que eu cometerei esse pecado, então é correto dizer que Ele o predestinou (HORTON, 2014, p. 80). 

Em certo sentido, essa conclusão de Horton é o determinismo divino diminuindo assim o amor de Deus, logo dar entender pela visão lógica que o próprio Criador é o causador do pecado e do mal, isso devido Ele ser considerado exageradamente o determinador de tudo do que aconteceu e acontece no enrolar da história desse mundo.
Então, se no caso realmente Deus sendo o determinador de todas as coisas logicamente entende-se que Ele tirou ou refreou Sua graça de Adão fazendo assim o primeiro homem a pecar para a Sua glória? 
De maneira alguma, contanto, se deve concordar com tal natureza. Se os calvinistas estiverem certos, pela lógica, Deus deixará de ser amor. Mas o fundamento da fé tanto dos calvinistas quanto dos armenianos é a Bíblia. E a mesma diz que Deus é amor (IJo.4.16) Logicamente, sobretudo é mais provável Deus esvaziar-se da sua glória para salvar o homem da própria culpa do que deixar de ser amor (Fp. 2. 6.8).  
Se realmente Deus está no controle e é a causa absolutamente de tudo, por conseguinte isso faz dEle o responsável até mesmo das coisas secundárias. O teólogo Roger Olson testemunhou um calvinista e oficial do governo afirmando diretamente quem causou a morte do seu filho foi Deus: 

[...] Deus matou meu filho. Eu não fiquei totalmente surpreso, pois eu sabia que ele era membro de uma grande igreja reformada [...] o orador deixou extremamente claro o que ele quis dizer. Ele não quis dizer que Deus permitiu a morte do seu filho ou que simplesmente permitiu que acontecesse. Pelo contrário, ele quis dizer que Deus planejou a morte do seu filho e a tornou certa [...] ele não também deixou muito claro de que o evento não foi uma ocorrência incomum da intervenção de Deus; o que ele quis dizer foi que toda morte, assim como todo evento, é planejado e governado por Deus de tal maneira a tornar o evento inevitável. Estou certo de que ele diria, caso fosse indagado, de que Deus utiliza causas secundárias. Tais como o clima e a umidade o equipamento defeituoso, mais isso, para ele, não era pertinente. Tudo o que ele se importava era que matara seu filho. Em outras palavras, este estadista cristão estava declamando publicamente que Deus é absolutamente soberano até nos mínimos detalhes e que Deus planeja todo o evento, incluindo as tragédias, e as torna certas (OLSON, 2013, p. 111).  
Grosso modo, essa soberania absoluta de Deus é visto dentro do sistema soteriologico calvinista, TULIP.  É um acróstico que surgiu a partir do século XIX, em uma cidade holandesa por nome Dordrecht, no ano 1618\1619 onde ali se reuniram pastores, teólogos calvinistas para refutar as perguntas remostrâncias ou protestos dos seguidores de Jacó Arminius. Que ficaram conhecidos como remonstrantes ou protestantes. Essa convenção oficialmente ficou conhecida como: Sínodo de Dort.
Determinados calvinistas tem o costume de considerar e chamar os armenianos de forma equivocada de humanistas. Visto que, a conclusão lógica tirada dos calvinistas em respeito à teologia armenianiana em relação à salvação é tida como antropocêntrica isso devida o arminianismo crer que o homem coopera para ser salvo enquanto que por outro lado alguns calvinistas tem uma visão da salvação mais teocêntrica. Isso devido Deus ser o agente total da salvação.
Por meio dos cinco pontos da TULIP, inteligentemente interligados, reforça teoricamente ou supostamente a crença teocêntrica em relação à salvação. Inteligentemente interligados, porque ao mexer em um desses pontos não tem como não se reportar dos demais, deixando o sistema assim virtualmente inquebrável.
Os cinco pontos da Tulipa são: Depravação Total (T) o homem não tem a condição de cooperar para a salvação, devido está totalmente depravado pelo pecado; Eleição Incondicional (U) Deus determina a escolha de quem será e não será salvo; Expiação Limitada (L) o sacrífico de Cristo não foi para todos, mas somente para os eleitos; Graça Irresistível (I) determina que o homem não tenha o direito de rejeitar a graça salvadora de Deus, uma forma de dizer que Ele determina o homem eleito a não rejeitar salvação; Perseverança dos Santos (P) a segurança eterna do homem para salvação não sendo obra do ser humano, mas de Deus. 
Em soma a tudo isso, a conclusão lógica, por fim, explicitamente declara que a teologia calvinista está afirmando, ainda que não seja diretamente, que Deus é um ser que ama alguns filhos e despreza outros. Descartando totalmente os textos sagrados que trazem o amor de Deus a “todos” (Jo. 3.16; ITm. 2.4). 


NATANAEL DIOGO,
Pastor Auxiliar da Assembleia de Deus  em
Coroatá -MA e Bacharel em Teologia (FAEPI).