Todos nós estamos sujeitos a sermos tentados. Isto porque o diabo, que é nosso inimigo, busca de todas as maneiras a nossa perdição. Neste sentido a palavra tentação significa o convite ao pecado. Satanás se utiliza deste artifício para seduzir os homens e levá-los a pecarem contra Deus e assim receberem as justas consequências de seus atos. Quando o pecado acontece no meio dos líderes essas consequências geralmente são mais graves, devido à influência do cargo.
Pedro disse que o diabo anda procurando alguém para devorar (1Pe 5.8), o próprio Pedro entendia isso na prática (Mt 16.22-23, Mt 26.69-75). Ninguém deve sentir-se invencível. É claro que não pensamos em cair, mas devemos lembrar que o nosso adversário é astuto (Ef 6.11), ou seja, ele tem habilidade para enganar. Uma vez o Senhor perguntou a Satanás “De onde você vem vindo”? Satanás respondeu: “Estive dando uma volta pela terra, passeando por aqui e por ali” (Jó 1.7). Por esta leitura podemos entender que o tentador passeia pela terra caçando brechas pelas quais possa arruinar as nossas vidas.
Sempre ouvimos dizer que há três barras que acometem os líderes, trazem perigos à liderança: a barra de ouro (avareza), o São João da Barra (bebida alcoólica) e a barra da saia (sexo imoral). Essas “barras” na verdade podem ser brechas para o inimigo agir. A sensação que temos é que o número de escândalos que envolvem lideranças (pastores e demais obreiros) aumenta assustadoramente, principalmente em casos de sexo ilícito. Quantas famílias e igrejas inteiras estão sofrendo porque os seus líderes não foram capazes de resistir firmes à tentação.
Na maioria dos casos o líder parece não perceber o tenebroso caminho que conduz ao fracasso. Uma vez perguntei a um que havia caído, porque ele não tinha fugido a tempo de se salvar? Ele me disse: “Eu não percebi o perigo, quando me dei conta estava no chão”. Essa realidade é horrível. Quando uso aqui a palavra caminho, quero dizer que nem sempre o pecado é algo repentino, que acontece da noite para o dia, sem mais nem menos. Mas que é resultado de um perigoso processo, Tiago, o apóstolo da teologia prática, mostra isso (Tg 1.14-15). Em muitos casos a queda era um resultado anunciado antecipadamente.
Muitos líderes estão envolvidos em relacionamentos perigosos. Esses relacionamentos são frutos de palavras ou gestos inconsequentes e até mesmo de pura irresponsabilidade, que no começo podem até ser puros, mas o problema é que isso progride e chega a níveis totalmente longe de controle. Aqui cabe um conselho: tenha muito cuidado com o excesso de intimidades. É bom criarmos limites nos nossos relacionamentos. O rompimento desses limites nos torna alvos fáceis.
Os dardos inflamados do inimigo podem vir de diversas direções, mas não estamos indefesos (Ef 6. 10-17). O Deus que nos chama para a batalha, também nos dá as armas necessárias e suficientes para a vitória (2 Co 10.4, Ef 6.10-17). Alguns pontos podem nos ajudar a vencer a tentação:
Ocupe a sua mente com as coisas espirituais. Evite ler, ouvi ou falar palavras imorais, isso tende a ficar guardado em nossas mente, e uma vez que isso acontece pode trazer perturbação. Muitos estão se corrompendo ouvindo e participando de conversas eróticas e imorais.
Tenha sempre em mente que o pecado traz também uma consequência. Todos os nossos atos trazem resultados, sejam eles bons ou ruins (Gl 6.7). O pecado nunca é um bom negócio, e o fato de Deus perdoar o pecador não lhe faz ficar isento das consequências de seu pecado.
Valorize aquilo que Deus lhe deu. O homem comumente age em busca daquilo que considera importante, valioso. Sendo assim é preciso que tenhamos bem definidos os nossos valores. Saber o que é realmente importante. Deu nos libertou do pecado, nos salvou e nos deu um ministério, isso é muito maravilhoso. Eu pergunto: vale apena deixar tudo isso pelas sujeiras que o diabo oferece? Não, sabemos que não vale! E quanto mais nos alimentarmos na mesa do Rei, menos olharemos para aquilo que o mundo pecaminoso oferece.
Diante de tudo isso, nunca devemos nos esquecer das palavras de nosso Senhor: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). Jesus já sabia dos sofrimentos que teríamos se caíssemos na tentação, por isso teve o cuidado de nos alertar. Em Tiago 4.7, lemos: “Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós”. Essa é a receita para a vitória sobre o diabo e a tentação.
O inimigo está solto. O leão brama em nosso derredor. Fiquemos em alerta!

Pr. Manoel Costa
É pastor na Assembleia de Deus em Coroatá-MA.
Licenciado em História (UEMA), Licenciado em Filosofia (FAEME),
Bacharel em Teologia (FATCH) e Licenciado em Ciências da Religião (ITEFIB).
Contato (99) 981179885.